22.1.17

Em torno da pequena mesa, onde as canecas de café fumegavam, cada um de nós tinha de contar um dos seus furtos mais estóicos. Jasmim, o andrógino de longos cabelos louros e olhos de avelã, jurava a pés juntos, olhar escancarado e braços abertos, que uma vez tinha roubado um cavalo mágico, má-gi-co, repete, num circo em Lyon. Quando montou o cavalo, sentiu logo uma corrente eléctrica, que o colou ao dorso do animal, diz, excitado. Alguns metros a galope depois, o cavalo descolou os cascos do chão e ambos voaram em direcção às nuvens cinzentas do sul. Acordou numa sarjeta em Sainte-Croix-en-Jarez, dois dias mais tarde, cheio de nódoas-negras. não se lembra de mais nada. O bando entra em algazarra, alguns riem-se, chama-lhe bêbado, outros dizem que não acreditam, nem pensar, que parvoíce. eu e a Petra somos as únicas que ficamos caladas. Jasmim continua a jurar, que sim senhor, que já roubou um cavalo-alado, todo branco, lembra-se bem, os outros têm é inveja, cambada de míseros ladrões de galinhas. e ri-se.
Bartolomeu tenta acalmar as hostes e pede a palavra.

16.1.17



li algures que os gregos antigos não escreviam necrológios,
quando alguém morria perguntavam apenas:
tinha paixão?