31.3.20

almost blue

vai-te lixar, chet baker! fazes-me infeliz, não te quero mais.

"Ó sr. guarda, deixe lá, que o homem é poeta!"

esta e outras histórias aqui.

Mário Cesariny pela lente de Alfredo Cunha, minha paixão antiga

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #14

lembrei-me da história, como será fácil de associar, devido à triste morte do jovem de 14 anos [por Covid, com Covid, dizem que é agora a questão. não opino, mas lamento.]. dirigi-me eu em tempos, finalmente, à dermatologista, farta de testar todos os champôs da farmácia do costume e as mil e uma mezinhas caseiras. sentei-me pela primeira vez em frente à senhora doutora, escolhida ao acaso na listagem do hospital. nada de recomendações ou avaliações, como nos restaurantes, era um tiro de sorte no escuro. e rapidamente percebi que devia estar mesmo muito escuro quando disparei, porque à minha frente tinha, senão a própria, uma sósia da professora de inglês do primeiro ano da faculdade. a mesma cara de enfado, o mesmo desinteresse, poucas palavras, escassas soluções. tal como aquela sul-africana branca, enjoada, que nos mandava abrir o livro de exercícios durante duas horas e, em grupos, responder às fichas das páginas x, y e z, enquanto ela abria o farnel e mastigava devagar sem abrir mais a boca antes da próxima dentada. era assim em todas as aulas. todas.
era tão professora aquela, como esta era médica ou eu alguma vez serei influencier de cosmética.
voltando à consulta, nada, está tudo bem, água e sabão se preferir, mas não tenho sugestões. Como?! Não senhora! Não, doutora! Estou a pagar, exijo (pelo menos) atenção! Por essa altura, vendo o diâmetro da minha íris tão escancarado, lá se concentrou uns segundos e rabiscou no papel. A vagareza de tudo, creio, era o que mais me irritava, tal como o mastigar da senhora professora de outrora.
resumindo a história, que de interesse não tem muito, procurei ajuda numa farmácia diferente, sem sequer ter aviado a receita daquele dia. bem diferente da raiva que me espumava pela boca, anos antes, em que a meio da aula arrumei as minhas coisas e saí porta fora como um rambo zangado. Fui direita à secretaria, estava tão irritada, lembro-me que tremia, e mudei de professora a meio do semestre. preferia perder a nota do que aquilo que me restava de amor-próprio. aquela mulher diminuía-me. devia-lhe ter escancarado a íris ou a boca, mas era nova, ainda não sabia que valia mais.
nunca foi uma questão de atitude, pago/posso, foi sempre, e apenas, uma questão de respeito, estou aqui.

30.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #13

desertei da frente de batalha e mergulhei na piscina caseira, tanque do meu aconchego. foi mariposa, borboleta, palhaço, um braço só, tartaruga, de rastos, não houve estilo que eu não tentasse dentro daquela água benta. só quando arrefeceu é que me obriguei a levantar o cu e regressar à estranha realidade do ócio. não vinha sozinha, tanto a culpa de gastar demasiada água, como o medo de não voltar rapidamente para a rua, acompanhavam-me lado a lado. já não me bastava uma sombra, agora tenho duas. quem consegue nadar como deve ser neste encarceramento de almas penadas? enrolei-me na toalha aquecida, como de costume, e uma ideia germinou na minha polpa cinzenta agastada. da próxima vez faço mergulho de apneia.

o fim de março, deus da guerra

a ideia disto dos posts de quarentena, era levantar a moral das tropas, como aquelas miúdas giras de pernas à mostra e gargalhada solta, cantando para os militares. porque todos sabemos que é importante resistir, não perder o norte à vida. e rir, gozar, inspirar o momento sem pensar no futuro, o que noutras alturas poderia ser o nosso deslize mortal, parece agora a salvação, enquanto aguardamos. 
difícil é hoje continuar a fazer frio, mas em breve será abril.

29.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #12

algo mudou hoje em mim
e não foi apenas a hora.

28.3.20

...

salvá-los é resgatar o melhor de mim, dar-lhes comida, saúde e amor, mantém-me sã. da mesma forma que o seu sofrimento me causa dor, a sombra da sua morte me apaga também.

O que choro é diferente./ Entra mais na alma da alma./ Mas como, no céu sem gente,/ A nuvem flutua calma.

Flor

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #11

por este andar, se a quarentena durar até maio /nosso senhor nos livre de tal dor/, talvez consiga chegar lá, ao peso mais bonito de que me lembro, cinquenta e cinco quilinhos. mas por agora, hipopótama magricela ou baleia raquítica, ainda não chego sequer aos cinquenta /vestida, que me pesei na balança do veterinário, olhó respeitinho! 
não compensam os constantes bolos de chocolate feitos na máquina do pão /quem não tem cão, caça com o que houver, {só tenho medo da diabetes}, aquilo que me rouba a ansiedade.


eu, na minha cabeça, ralhando comigo

27.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #10

Unorthodox

A Netflix Original Series inspired by Deborah Feldman's New York Times Bestselling book ‘Unorthodox’


26.3.20

das saudades da Palmy, a minha psicóloga blogosférica, que tanta falta me faz...

o post mais acedido de sempre desta tasca sem grandes acessos, é de abril de 2017 e teve dedo das artistas, Palmy Rego e Mirocassa.

A Artista 
(para que não surjam dúvidas, falo da minha pessoa, óbvio!)

23.3.20

hoje falei com a minha mãe

como a adoro, embevecida ainda como quando era criança e a olhava e lhe via tanta ternura e um sorriso tão doce e aquele olhar, o meu porto de abrigo. a minha mãe, forte e corajosa, um ser humano tão belo, que me ensinou que errar faz parte, mas devemos sempre procurar ser justos e respeitar os outros, especialmente quando estão caídos no chão. e ensinou-mo da melhor forma, fazendo, ajudando, dando a mão. 
tudo o que de melhor sou, dou e faço, a ela o devo, a tudo o que me ensinou. não é perfeita a minha mãe, e ainda bem, não me agrada essa ideia. tão preciosa a minha mãe, e tão feliz, mas tão assustada de agora poder morrer assim. e eu digo-lhe que não, que isolada está a salvo, mas o que sei eu? temo. todos tememos por alguém.

isto ficou banal sentimental. perdoem-me. 

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #9

[sim, o melhor mesmo, a bem de alguma sanidade mental, é publicar fotos de gatinhos fofinhos...]
[não, não corto as unhas ao bicho]

{era vejam lá se isto - o Lorca e o Poeta -  não é uma grande batota. a premissa era "o gato observando o horizonte enquanto pensa na sua maravilhosa dona" :)))}

{vou buscar o Dom Quixote de La Mancha...}

Corto by Flor

22.3.20

«Ecos que partem do centro, semelhantes a cavalos.»

a Sónia, que às vezes penso que vive dentro da minha cabeça e me fotografa a alma, desafiou-me para escrever sobre uma fotografia sua. 
partilho o resultado.

obrigada, Sónia.

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #8

quanto vale a vida de alguém a quem já ninguém parece dar valor?

21.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #7

não fosse o pó acumulado nas narinas, depois de limpar as estantes e tentar dar-lhes arrumação, o sol na cabeça, que agora me dói, da tarde inteira em fuga, e uma orquídea tão atrasadinha como Violeta (só tem ainda uma - esta - flor) e podia ganhar esta peleja... grrrrrr......


Violeta namorando o Poeta

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Ó Palmy, já te deixavas de frescuras e mandavas sinais de fumo...

20.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #6

o meu pássaro nocturno de ontem
(mocho-galego, quem sabe, Mokambo)

19.3.20

a amiga genial

série baseada nas obras de Elena Ferrante.
que saudades tinha de uma série/história/produção assim.

na HBO, teaser

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #5

em pouco mais de duas horas, tive tempo para analisar todos os que como eu esperavam a sua vez para entrar na farmácia. distante o mais que podia, sem perder a porta do raio de audição - que os números eram gritados lá de dentro -, tentei afastar o medo das partículas voadoras ouvindo as conversas circundantes. os mais afoitos, com os seus bigodes e cabelos brancos, falavam alto e gabavam-se da resistência ao tempo de espera, estavam ali ia para três horas!, (medo!) enquanto faziam a contabilidade de quem entrava e saía. eram especialistas na matéria, percebia-se, sabiam o número que cada um de nós carregava na senha, mesmo sem ver. aquilo era habilidade treinada em muitos jogos de sueca, pensei. as senhoras, menos dadas às distâncias, esperavam sentadas nos bancos do jardim e falavam das suas coisas. de vez em quando lá interpelavam o Zé, perguntando em que númaro 'stá? e o Zé, sem precisar de ir espreitar o monitor lá de dentro, gritava o número certo. sentados nas arcadas, outros três debitavam as suas teorias da conspiração, a China e coiso e já sabiam daquela merda e num sei o quê, falavam todos ao mesmo tempo, era cansativo percebê-los. o homem que mais me preocupava era um vesgo - perdoa-me, senhor - que não parava de espirrar. pior, parecia que o homem escolhia sempre o poiso perto de mim, por mais voltas que eu desse à porra do jardim. rai's partam, sr. vesgo! a sério? com uma praça tão grande, duas opções à vista - perdoa-me outra vez - e escolhe andar a cirandar aqui ao meu lado?!
recompus-me. a caminho da segunda meia hora, já tinha uma metodologia de presença, recuando e virando costas de forma assertiva, enquanto calcorreava o oito imaginário no passeio junto ao busto. ora fingia procurar um carro que vinha longe, ora detinha o olhar da cornija da casa em frente, tudo servia para afastar o medo - e o vesgo - e esquecer a dor de costas que ali me nasceu.
tudo se resolveu em menos de dois minutos, cronometrei. o farmacêutico, outrora tão simpático e conversador, parecia agora um cozinheiro chinês em linha de montagem. tive que berrar o final do pedido, que o homem pôs-se logo a caminho, e senti-me ridícula, gel também não havia, esgotadíssimo, e seringas só tinha dois sacos. rai's partam! pronto, ok, obrigada. dois passos à recta-guarda, um de cada vez, deixe-me lá sair, se faz favor, não me vai pegar o bicho nos últimos cinco segundos destas duas horas, pois não?!  o caraças do vesgo!.....


18.3.20

Toto, I have a feeling we're not in Kansas anymore #4

depois de pagar os impostos relativos a fevereiro, pergunto-me como irei pagar os de março...