18.11.19

16.11.19

o desafio insano

foi insano, emotivo, assustador, engraçado, saudosista, às vezes mal conseguido, mas sempre escrito com a melhor das intenções, chegar a vós, tocar-vos, agregando as vossas palavras.

grata a todos os que quiseram fazer parte.






noname - texto 

luis & alexandra - texto

susana - texto

sónia - texto

ujm - texto

ana p - texto

janita - texto

maria eu - texto

paula - texto

impontual - texto

linda blue - texto

lucio ferro - texto

luisa - texto

tétisq - texto

ana - texto

~cc~ - texto

alexandra - texto

mau-tempo - texto

espiral - texto

be - texto


e assim se festejou o quinto aniversário do tasco.

para a Be

se tu fosses outro,
dizem-me algumas pessoas, compadecendo-se,
talvez pudesses ser alguém no mundo,
e eu cansada respiro fundo
e abraço-me por dentro em segredo.
as pessoas continuam, julgando dar-me a salvação,
embora eu não queira ouvi-las, nem lhes tenha feito perguntas,
tantas vezes nem saiba sequer quem são,
que se tu fosses outro, tudo seria mais fácil,
diferente, haveria tranquilidade,
exemplificam com a norma-padrão
e a harmonia familiar.
se tu fosses outro, insistem,
até que eu as mando calar.
eu não quero que tu sejas outro,
nem tu precisas de o ser. não há nada de errado contigo,
és um ser humano perfeito, como eu
e elas,
repleto de imperfeições, e a única coisa que espero,
de todas as lutas que irás travar ao longo da vida,
de todas as dúvidas que te possam surgir,
é que nunca queiras ser um outro alguém,
porque eu,
meu macaquito lindo,
nunca quis ser de outro mãe.


/para a Be, mãe guerreira e mulher bonita, blogger que guardo no coração/

tat tvam asi, you are that

do Pina, meu pai poeta,

Tat Tam Asi

Nós os maus caminhamos em
círculos cada vez mais estreitos
até ao centro de tudo, o silêncio de tudo

(Nada é de mais, porque existe tudo)
Na nossa terrível vigília
cultivamos técnicas mortas,
o pleonasmo, a pura repetição

Aqueles que afirmam tudo
existem já na eternidade
conquistaram a imobilidade e o silêncio
com sábia indiferença são sidos por tudo



manuel antónio pina
aquele que quer morrer  (1978)

roubado no canal de poesia

15.11.19

nádegas

Damas, o meu querido Damas, poeta de Monfortinho, hipster a meio-tempo em Alfama, aproveita o momento no Café para me mostrar a nova amizade do facebook. De sua graça Bibi, loura brilhante de nalgueiral volumoso, diz-se terapeuta do corpo e das emoções, uma cuidadora, portanto. Aplaudo a iniciativa com um sorriso matreiro. Damas devolve-me o sorriso, já com os olhos a brilhar. É gira, não é? Muito, respondo sem hesitações. Uma mulher que tem como lema de vida que o que levamos da vida é a vida que levamos, só pode mesmo ser muito gira, meu querido Damas, é avançar.

Frio

A dor de cabeça com quem me deitei não é a mesma que acorda comigo. Esta, mais generosa na sua dádiva, ataca-me as têmporas e magoa-me por detrás dos olhos. Conheço-a. Nasce do frio e aninha-se em mim como um gato feudal. Enquanto a pequena criatura não vem empurrar-me para a vida, fico procrastinando com ela, sentada nesta cadeira.

14.11.19

...

Há dias que são travessias de um deserto tão escuro e sombrio, que nem toda a água que me cobre me poderia limpar o rasto do cansaço. Talvez nem toda a chuva que cai. A pequena criatura, anjo de um morto só meu, pede-me apenas que não desista. Soubesse eu como se foge sem rasto e nem aos mortos pediria perdão.

13.11.19

HSbF₆

peço-lhe que não grite, porque há no grito que os outros me dirigem uma raiva viscosa que se cola à minha voz e me obriga a gritar também. e há veneno na minha boca quando grito, e vidros que me cortam os olhos, e toda a raiva me corrói as paredes do estômago, que continuam a doer. a vida é ácido agora.

...


qué hiciste con tu vida

preguntó Dios

envejecer

respondió ella

con las manos llenas

de tierra


Isabel Lipthay

12.11.19

...



[obrigada, vidro azul]