11.12.14

o corpo arde-lhe agora, numa indecência transfigurada. inspira e expira de forma dolente, olhos semicerrados, imaginado-se num coito iminente. Borges diz-lhe, numa pequena mensagem telegrafada, que se pudesse a trespassaria com a sua espada. tarde demais. rangem-lhe os dentes, no momento em que sobe para o assento da velha berlinda, que, pelas armas reais pintadas, acredita ter sido de D. Maria I, a rainha. é com ela que corre o mundo, procurando Borges, o seu amor, no seu labirinto de silêncios e maresias enroladas em luz. hoje, rejeitada mais uma vez pelo infortúnio do destino, decide virar-lhe as costas. o desejo desliza-lhe pelas costas, em gotas salgadas, o sexo, túmido, apressa-lhe as chicotadas na garupa do pobre Salomão.