31.1.15

Querida Carol:

Todo esto tiene algo de "sueño", lo sé, pero sé que ciertos sueños tienen tendencia a realizarse si se los empuja un poco.

30.1.15

Will Davidson

29.1.15


In a sentimental mood


Jose Luis Lopez Moral

Estremece-se às vezes desde o chão, escreveu-lhe no braço.

28.1.15

É seu este livro, Maria Kodoma. Precisarei dizer-lhe que esta inscrição compreende os crepúsculos, os cervos de Nara, a noite solitária e as populosas manhãs, as ilhas partilhadas, os mares, os desertos e os jardins, e o que o esquecimento perde e o que a memória transforma, a alta voz do almuadem, a morte de Hawkwood, os livros e as gravuras?

Inscrição in Os Conjurados

27.1.15

               un peu
je t'aime   beaucoup
               à la folie

almoçou o melhor café do mundo.

Louise Bourgeois





























Não mais, não mais dele o infecundo abismo, 
Que mudo sorve o que mal somos,

26.1.15

23.1.15

em segundos, o coração contorce-se no aperto desmedido da maldita mão alheia. nós, que já quase ousávamos acreditar, recolhemos, feridos, à tristeza que nos acolhe, cama fria onde fingimos morrer.
Adara Sánchez Anguiano























22.1.15

Ibn Sina foi peremptório, Atlas será obrigada ao sossego (imobilizador) durante vinte e um dias, limitando a sua energia a uma dúzia de passos, devidamente contados. até lá, a sua sorte com Hela já terá sido lançada. Ulrica sabe que nem todas as moedas de ouro do mundo terão força para lutar contra o poder malévolo de Hela, mas confia na ciência e no bom coração de Ibn Sina. enquanto espera, acalma o seu, rezando.
Sónia Silva


a função do amor é fabricar desconhecimento 

21.1.15

na brutalidade com que a voz se atira contra as paredes
abrindo fendas  
em toda a extensão das veias e dos tendões



Quem escreve quer morrer, quer renascer 

num ébrio barco de calma confiança. 

Quem escreve quer dormir em ombros matinais 

e na boca das coisas ser lágrima animal 

ou o sorriso da árvore. Quem escreve 

quer ser terra sobre terra, solidão 

adorada, resplandecente, odor de morte 

e o rumor do sol, a sede da serpente, 

o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho, 

o negro meio-dia sobre os olhos. 
a faca nunca cortará o fogo.


18.1.15

Adara Sánchez Anguiano

Always where you are
My touch to love you looks into your eyes

17.1.15

enquanto Atlas repousa junto à lareira da sua longa cicatriz, futuro ainda sob reserva, Ulrica ouve a chuva bater nas vidraças. Abenjacan voltou há pouco, de Borges nada.

16.1.15

Nobuyoshi Araki

15.1.15

Atlas, a cadela, escolhida por Odin para proteger Ulrica, foi atingida pela fúria de Hela. Ulrica amaldiçoa o destino, cinza opaca que lhe cobre a vida. amanhã mesmo, irá ao templo e suplicará a Iduna uma maçã sagrada, fatiada a sabre e envolvida num poema de vitória e superação. amanhã, o dia em que Borges estaria tão perto, será afinal para tentar salvar Atlas, a fiel companheira. 
Alex Cornell

14.1.15

primeiro destroem em seu interesse,
de seguida fazem-nos o favor,
enquanto nos limitam às necessidades mais básicas,
imundice humana.
depois sorriem,
abrem a braguilha 
enterram-se na esperança vaga que ainda pulsa,
à força,
rasgam-nos,
violam-nos até ao âmago
a razão de existir.

somos a sua trupe infinita.













12.1.15

olhamo‑nos,
dizemo‑nos algo sombrio,
amamo‑nos como papoila e memória,
dormimos como vinho nas conchas,
como o mar no jorro‑sangue da Lua.
Agora o silêncio
torce-se em meus nervos

Penelope Gotlieb



11.1.15

No fim da história eles ficam juntos. É isso que está escrito bem no topo da página, no começo do texto. Que ficam juntos. Ainda que, e isso vem logo em seguida, ainda na verdade este ficar junto signifique que tenham que ficar muito sozinhos. Antes e rotineiramente. E ainda tem mais, é preciso dizer. Juntos são infelizes.

[continua aqui]

10.1.15

  Com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite 
pela casa. Um fantasma forçou uma porta atrás de mim. Gemendo como um 
animal estrangulado acordei-te. 

     Enterro o meu terror como um alfange na terra. Porque é preciso ter 
medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras 
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas. 

     Só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me 
impus da morte. 
    És tu tão único como a noite é um astro. 
Deito-me cedo contigo o meu sono é leve para a liberdade   acordas-
-me só de pensares nela. As casas e os bichos apoiam-se em ti. Não fujas não 
te mexas: vou fixar-te para sempre nessa posição. 

 Qual de nós os dois "quero-Te" gritou? 

8.1.15

Little Bird 

dias negros.
o único muro intransponível é o que colocamos à nossa volta.

7.1.15

Carnal knowledge. It’s what lovers trust each other with. Knowledge of each other, not of the flesh but through the flesh, knowledge of self, the real him, the real her, in extremis, the mask slipped from the face. Every other version of oneself is on offer to the public. We share our vivacity, grief, sulks, anger, joy… we hand it out to anybody who happens to be standing around, to friends and family with a momentary sense of indecency perhaps, to strangers without hesitation. Our lovers share us with the passing trade. But in pairs we insist that we give ourselves to each other. What selves? What’s left? What else is there that hasn’t been dealt out like a deck of cards? Carnal knowledge. Personal, final, uncompromised. Knowing, being known. 

6.1.15

Não existir 

Se o digo acendo os filamentos 
desta nocturna lâmpada 

5.1.15

3.1.15

blue with a little red.




























2.1.15

pulsão de morte


Zdzislaw Beksinski

é urgente matar os corvos de Odin, vazando o coração, forçando-o a secar.

Evelyn Bencicova

1.1.15

e as criaturas do ar e da terra vieram e ordenaram o silêncio. Ulrica, a última valquíria da casa de Odin, cumpriu.

Dino Valls
























Dormi contigo toda a noite 
junto ao mar, na ilha. 
voltaremos a nascer com os mesmos corações ou estaremos condenados a nunca mais nos encontrarmos?