10.1.15

  Com a precaução de quem tem flores fechadas no peito passeei de noite 
pela casa. Um fantasma forçou uma porta atrás de mim. Gemendo como um 
animal estrangulado acordei-te. 

     Enterro o meu terror como um alfange na terra. Porque é preciso ter 
medo bastante para correr bastante toda a casa celebrar bastantes missas negras 
atravessar bastante todas as ruas com demónios privados nas esquinas. 

     Só o amor tem uma voz e um gesto mesmo no rosto da ideia que me 
impus da morte. 
    És tu tão único como a noite é um astro.