21.1.15

Quem escreve quer morrer, quer renascer 

num ébrio barco de calma confiança. 

Quem escreve quer dormir em ombros matinais 

e na boca das coisas ser lágrima animal 

ou o sorriso da árvore. Quem escreve 

quer ser terra sobre terra, solidão 

adorada, resplandecente, odor de morte 

e o rumor do sol, a sede da serpente, 

o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho, 

o negro meio-dia sobre os olhos.