21.2.15

[quando se apagam palavras, estará o autor em demanda inglória pela perfeição. quando se apagam textos, está o autor, pária jamais literária, em fuga da sua total imperfeição.]

20.2.15

vagas de dor concêntricas, magma em ebulição, agulhas que tocam o nervo central.

19.2.15

como si uno fuera un fragmento de luz
que cansado
quisiera esconderse de todo

16.2.15

Povo Que Cais Descalço



10.2.15

o que me darias
se te pedisse a paz
e soubesses de como a quero construída
com as matérias vivas da liberdade?



LA SOLEDAD se desnuda en tus ojos,
muchacha interminale, extensa en la amargura;
quizá un muerto fugitivo te anida
y te cruza la sangre y, en la sangre, anochece.

9.2.15

Viagem de Inverno

8.2.15

In a world without melancholy, nightingales would start burping.
Christian Schloe

7.2.15

Kafka, the hunger artist, morreu de fome.
um índice, conspícuo sextante, para os olhos de mareante que em mim viesses navegar. páginas tacteadas como leme axial, palavras navegadas à bolina, parágrafos galgados em sofreguidão. velas tão delicadas como asas azuis de Lepidópteros, que o vento, água salgada em voo picado, teima em rasgar.


...

queria-me livro, para, em noites como esta, me poder queimar.

6.2.15

Bridgette Guerzon Mills




























bilhete postal: no teu silêncio, ouço a verdade.

3.2.15

apagou o parágrafo inteiro, quando percebeu que podia resumir tudo numa pequena frase: corre porque deseja ficar quieta. 
matar palavras tem sido o seu passatempo.
Victoria Crowe

2.2.15

ao contrário da dor forte de Camilo, a sua não é imprevista. empesta-lhe a camada subcutânea, com ramificação tentacular quase amarela aos órgãos maiores, moles e tristonhos, e sempre que a voz se lhe dirige, transpira-a, num processo gasoso de destruição.

Adriana Munoz