26.4.15

Diário de Alina Reyes - 20 de Janeiro


[...] não gostam de mim, da distante. É a parte de que não gostam, e como não me há-de dilacerar por dentro sentir que me batem ou que a neve me entra nos sapatos quando Luis María dança comigo e a sua mão na cintura me vai possuindo como um calor ao meio-dia, um sabor a laranjas perfumadas ou tacuaras esmagadas, e batem-lhe e é impossível resistir, e então tenho de dizer a Luis María que não estou bem, que é a humidade, humidade no meio dessa neve que não sinto, que não sinto e me está a entrar nos sapatos.

in Bestiário (1951)


[este conto, Distante, lembra-me o filme de Krzysztof Kieślowski, La double vie de Véronique, de 1991.]