26.5.15

Yiorgos Mavropoulos

[queria oferecer-lhe as horas que havia roubado ao tempo. depois percebeu-lhe a liberdade, observando o horizonte, e decidiu deixar a morte avançar.]

um dia destes tenho o dia inteiro para morrer,
espero que não me doa,
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

25.5.15

Arber Sefa

[gostava de ter sido eu a escrevê-lo.]

Não quero ruído, nem gargalhadas, nem conversas lúbricas, nem convites para jantar em restaurantes onde se servem carnes maduras. Não quero amar e não quero ser amada. Isso não. Quero apenas a vulgaridade, mas a vulgaridade silenciosa, invisível, a que jamais se confessa, a vulgaridade das casas de banho-públicas, dos quartos de hotel e dos carros parados à beira-rio. E, como no poema, não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício e cair verticalmente no vício.

la muerte se muere de risa pero la vida
se muere de llanto pero la muerte pero la vida
pero nada nada nada

24.5.15

Unknown





























Da dor sei o amor.

22.5.15

But now I think there is no unreturn’d love—the pay is certain, one way or another;
(I loved a certain person ardently, and my love was not return’d;   
Yet out of that, I have written these songs.)

19.5.15

Sometimes with one I love, I fill myself with rage, for fear I effuse unreturn’d love;

18.5.15

Unknown

16.5.15

houve momentos em que fui apanhado neste jogo e cheguei
                 a encher umas quantas páginas do caderno
aconteceu também por vezes que o papel pareceu 
                                                       estremecer,
mas o mundo não: nunca senti que o mundo estremecesse
                                              sob as minhas palavras escritas,

[mas eu senti, hh, eu senti o meu mundo estremecer, quando as tuas palavras se escreveram em mim]

12.5.15

_____________ a primeira imagem do Diário não é, para mim, o repouso na vida quotidiana, mas uma constelação de imagens, caminhando todas as constelações umas sobre as outras. Qualquer aprendiz imagético, quando sobe ao meu quarto e atravessa o meu escritório, tem o sentimento de que «um belo lixo de imagens se criou aqui». Se for menos inocente dirá: «que belo luxo de imagens». Eu diria: aqui está a raiz de qualquer livro.
Numerosas Linhas

11.5.15

Nesa Paripovic

Em letras enormes do tamanho
do medo da solidão da angústia
um cartaz denuncia que um homem e uma mulher
se encontraram num bar de hotel
numa tarde de chuva
entre zunidos de conversa
e inventaram o amor com carácter de urgência
deixando cair dos ombros o fardo incómodo da monotonia 
quotidiana.

a invenção do amor

10.5.15

Lucy Zharikova

9.5.15

imerecedores, párias, fungos amarelos: estruturas hifais sorvendo hospedeiros vivos, encostos que se arrastam pelo passeio.

6.5.15

se a dor fosse só a carne do dedo 
que se esfrega na parede de pedra 
para doer doer doer visível 
doer penalizante 
doer com lágrimas 

se ao menos esta dor sangrasse 


[daqui]

3.5.15

damos à luz. filhos, palavras, sopros de amor, gestos, ondas, sal e mel. um acto de entrega, para que a sombra não nos devore cedo demais.

2.5.15

Y escribo:
del atropello mortal quedó en el suelo
una agenda, un bolígrafo negro
y unas gotas de sangre.

[naufragios y brujería]

1.5.15

a madrugada traz-me o navio da saudade.

Andreas Athan