11.8.15

houve um tempo em que enganava o desespero do corpo, mantendo-o adormecido. de tanto dormir, longe da claridade que queima, a dor foi-se anestesiando. é o que tento agora, embalar o corpo, para que durma, mas o corpo, cansado de mim, já não se deixa enganar. a tristeza que lhe roubo ao anoitecer, devolve-ma em madrugadas brancas de facas afiadas. algures, perdi a habilidade com as palavras, perdi a vontade. todos os gritos são mudos.