12.9.15

enquanto a Ana fala da ausência de amor do seu pai, eu recordo o meu em igual falta. nada me foi tão fatal à condição. se pudesse, - e como queria poder -, trataria da sua velhice catatónica, como a um filho pequeno, para que me amasse por instinto e me desse a mão por vontade.
morreu, em agonia intensa, sem que um rasgo de comoção lhe trouxesse o meu nome à boca. e eu, escondida atrás da minha mãe, deixei-o morrer, sabendo que passaria, a partir daquele momento, a carregar mais uma culpa.