27.9.15

era vê-los, braços no ar, pequenos guinchinhos, primeiro envergonhados, que rapidamente entraram num registo de vozeirão empanicado. pelo terror, pensei que seria alguma vespa, sei de pelo menos dois ninhos que já deviam ter sido fumados, mas à falta de tempo e de picadas, ainda por lá hão-de estar. quando me aproximei, ouvi-os gritar que era uma aranha (enorme!) e pediam-me que eu a matasse. Milu! pensei aflita, ao ver a pequena aranha branca, Nem pensar, aqui não se matam aranhas, nem nenhum outro bicho! não sou purista, se houver risco de vida ou moscas demasiado teimosas, abdico da minha veia budista e faço o que tenho a fazer, mas matar a Milu?! Porquê? agarrei num envelope vazio e servi-lho de passadeira para o exterior. a Milu portou-se lindamente, lançando teia fresca na árvore mais próxima. Tens razão, pá! Diz que as aranhas trazem dinheiro, graçolavam os comensais, de novo machos viris. cambada de idiotas. a Milu era minha amiga.

[afinal, a Milu continua no canto do costume. talvez fosse alguma prima afastada. que alívio. (posso continuar a sonhar com a riqueza vindoura).]