12.9.15

melancolicamente enjoativa em olhos inflamados de vermelho e pés que parecem colados ao chão, lá pelas três da manhã, vem-lhe o ímpeto de uma morte interestelar, como o arco de fogo que ninguém vê mas ele descobriu. aquele homem, que lhe corre nas veias. soubesse ela escalpelizar-se com a tesoura da costura, que guarda na segunda gaveta da cómoda, e começaria por procurá-lo debaixo da pele fina dos seios. ou, da faca afiada, cheirando a basílico, um bisturi que lhe chegasse ao centro magmático, revolteando entre bolsas e tripas fumegantes, como toros de couve numa sopa a ferver, a compaixão cómica de uma tragédia romântica fora de prazo, e encontrasse a boca que a ignora. porque não há admiração na realidade, tudo seria normal, o sangue na cama de lavado pingando o soalho cinzento escuro e um corpo esventrado, seriam lidos em todas as folhas da investigação e jornais de especialidade como uma libertação post mortem.