4.10.15

baixas, prenhes de cinzento, as nuvens passam ligeiras, vazando as primeiras pingas, envergonhadas. parecem grandes baleias voadoras. deixo-me ficar em frente à janela. quero ver o nascer da chuva. os arbustos, frenéticos, iniciam a dança da baladeira. reconheço a triste Nikya na velha oliveira, ao fundo. e eis que chove já. a orquestra, conduzida pela mão invisível, lança-se num crescendo sobre as cantarias. quanta beleza nas primeiras chuvas de outono.

sou filha panteísta.