19.10.15

tinha tudo para ser um dia como tantos outros, mas agora, aqui sentada, despida e descalça, percebo que não foi. a voz, que pelas três da tarde me apanhou desprevenida, fez-me prometer que este natal voltaria a ser em casa. diz-me a voz que o pedido vem da mãe, que este ano, finalmente, deixará o pequeno apartamento e voltará à casa grande, mas apenas pelo natal. sei que fui apanhada na ratoeira, eu não quero nenhum natal, mas deixo-me ficar quieta. a felicidade da mãe vale, à vontade, o frete de uma noite de faz de conta, onde as perguntas se hão-de repetir, adoçadas com olhares de pena e incompreensão. sei muito bem por que detesto o natal, apenas não lhes respondo.