10.10.15

tombei da cama, impelida por um temor momentâneo de que também hoje era dia de semana, maldita semana, e, encontrando-me já desperta, alimentei os animais, evitei, por enquanto, o café matinal e o banho pacificador, li o mundo e partilhei palavras surripiadas, encantei-me com a janela grande, que me oferece os vales da melancolia, e finalmente procurei a Milu. não a vejo desde a manhã de ontem, ou talvez da noite de anteontem. não tenho a certeza, mas tenho uma preocupação: onde está a Milu? fugiu? foi morta pela vassoura da senhora da bata às riscas? hibernou? antevejo a cara trocista do leitor, julgando-me tola, procurando uma aranha esbranquiçada no tecto, mas saiba o leitor que já o poeta, em 1932, ano maldito, bem decerto, lhe dedicou alguns dos seus versos, num poema de triste baloiçar