18.10.15

Unknown

era noite ainda. chovia intensamente. o vento, de sul, parecia brando. em cima da mesa, a travessa de biscoitos de erva doce. meto dois no bolso e chamo os cães. descemos a ladeira em direcção ao rio, por entre a erva alta. sentem o cheiro dos biscoitos e não me saem da frente das pernas, quase caio. reclamo, mas eles sabem que finjo. não resisto aos pedinchas e reparto a merenda. avançamos depois até ao velho pomar. há um cheiro adocicado a fruta apodrecida. a chuva bate-me na cara e refresca-me a alma. reparo que as botas de borracha fazem um barulho estranho, quando pisam o húmus esponjoso. sorrio. caminhamos mais um pouco, o rio está perto, consigo ouvi-lo. saí de casa com o peso de um pensamento, se ao menos a corrente, forte, o levasse, se ao menos eu fosse rio e galopasse. deixo-me ficar, quieta, sob a velha oliveira, enquanto os cães alegremente procuram as tocas. a chuva, entretanto, amainou.