30.11.15

surgiu-me isto, enquanto limpava o gatil, repleto de fezes nauseabundas, pequenos rastilhos castanhos empilhados. no passado, enfastiavam-me as pessoas que, licenciadas - a torto ou a direito -, passavam a exigir o tratamento de dr. / dr.ª [*****]. continuam a dar-me uma certa pena, mas, como dizem, a idade não traz apenas cabelos brancos, felizmente, apazigua-nos certas irritações. o que agora me mói a paciência, quando não tenho mais nada em que pensar, são aqueles seres, politicamente correctos, que vão anuindo à conversa, que sim, senhor, que isso dos doutores é ridículo, é mesmo de quem tem problemas de auto-estima, e nos entretantos, deixam-se chamar por sr. doutor nos cafés, têm cartões bancários a condizer, nunca corrigem a telefonista e - eles próprios - afirmam que nos documentos é capaz de ser melhor acrescentar o maldito "apêndice", não vá alguém julgar que não acabámos o curso...
como vos disse, foi enquanto limpava merda de gato, muita merda de vários gatos, e de vários dias, colada ao chão como pastilha elástica, tão entranhada, que tive de me servir da escova e da lixívia várias vezes, para vos ser mais exacta, que esta questão me voltou à ideia. aos outros, que assumem abertamente a necessidade de se endoutorarem com uma licenciatura, tenho agora menos asco, rio-me apenas. destes, fujo a sete pés, estou cansada de esfregar.



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e não,
não um dr. mas mil drs. de um só reino,
e não se tem paciência para mandar tantas vezes à merda,
oh afastem de mim o reino,
afastem-nos a eles todos,
atirem-lhes aos focinhos o que puderem dela,
sim até se acabar a mirífica montanha,

HH