5.12.15

aquele homem, que agora lavra, conduzindo o tractor vermelho pelos campos, imagino-o outrora, jovem, calcando a pega da charrua, rasgando a terra escura de dezembro, atrás do seu cavalo castanho, imparáveis, em simbiose de força e suores. a terra, húmus, ventre de mulher fecunda, clama a semente, que virá depois do ferro. à noite, em casa, essa mesma terra descalçada das botas e varrida do soalho de madeira pobre para a rua. uma mulher, também ela jovem, de cabelo apanhado e faces rosadas, estendendo-lhe uma toalha e um par de meias lavado. na mesa, à luz do petromax, uma malga de sopa quente, um pão centeio, uma faca e um copo de vinho.