8.12.15

encontro-o rodeado pelo grupo. no chão, um pintassilgo-verde fêmea, morto. pelo tamanho, percebo que se trata de um exemplar adulto. uma pobre mãe. não consigo disfarçar o meu desagrado. Corto Gatês, logo que me vê, abandona a roda e vem esfrega-se nas minhas pernas. Ramirez, o espanhol, olha-me desconfiado, é o gato mais desconfiado que conheço, abocanha a presa pelo pescoço e abandona o espaço. nunca me dá satisfações, foi sempre assim, desde o dia em que nos encontrámos, preterido por uma irmã mais meiguinha. aperfilhei-o, portanto, sabendo de que se tratava do menos afectuoso ao contacto humano. nunca me arrependi. Corto Gatês insiste nas turras, Mammina, não sejas severa, o Ramirez não tem culpa, está na sua natureza.