29.12.15

está frio, Nepal, o que fazes tu aqui tão cedo?
esperava por ti, Olhos Tristes.
não tenho mais nada para te dar, Nepal. agora já não está nas minhas mãos.
podias interceder...
não posso e nunca o faria, Nepal. se me conhecesses, saberias disso. não intercedo por ninguém, deixo que o rio siga as suas correntes naturais.
que bonito, Olhos Tristes, fazes poesia com a desgraça dos outros. sabes muito bem que as correntes são humanas, compradas. finges é que não vês. finges-te cega.
faço o que posso, para me manter lúcida. as acções são de quem as pratica.
é a isso que te agarras, quando vais dormir?
não, Nepal. nunca levo o trabalho para casa, muito menos durmo com ele. 
não tens consciência. és egoísta. uma activista de sofá. há muitos por aqui.
pensa o que quiseres, Nepal. estás a dar-me mais importância do que aquela que tenho, acredita.
alguma vez te faltou alguma coisa, Olhos Tristes? pão na mesa? roupa quente? combustível? dinheiro para os medicamentos?
Nepal, não posso fazer mais nada. 
és cobarde. egoísta e cobarde.
lamento.
lamentas nada. assim que eu virar costas, o assunto morreu.