13.12.15

ia jurar que era o Pina, ainda há pouco, a passar na rua, cabisbaixo. o grande Pina, que pressagiou o fim da poesia, porque o mundo precisava era de observadores de pássaros encartados, mas não podia ser, seria?! ó menina, guarde-me lá o éclair e a meia de leite, se faz favor, que eu venho já, vou só ali à rua, correr atrás de um homem que me pareceu o grande poeta, é uma ternura que vem de longe, não lhe sei explicar. hei-de lhe dar um beijo e se me sobrar a coragem, dizer-lhe que, ao senhor míope, não sei, mas a mim, o poeta ensinou-me a sonhar. não, demasiado teatral,  de um folclore palavroso que nunca seria capaz, o mais certo é gaguejar. o Pina merece melhor abordagem (imagine-se que é mesmo o Pina, vivo!). talvez me deixe ficar por aqui, escondida entre cacarejares de gente fina, que se define, tal como redefine, pela enésima vez, a enorme lista de compras do natal, sorvendo espuma light com poeira de cacau...