23.12.15

juntar o que resta da família, essa teia de ligações doentias, tristes exibições de poder, tentativas falhadas de autoridade, e fingir que está tudo bem, que a noite é feliz, é apenas uma noite, aquela noite, repetimos. e fingimos. fingimos que não sabemos dos rancores, dos ódios de estimação, dos preconceitos, dos defeitos e dos feitios, das gabarolices tacanhas, dos paternalismos bacocos. estamos ali, esperando o tempo passar, fingindo que somos cegos e surdos, e felizes, esperançosos de que ninguém se lembre de escamotear a nossa vida à volta da mesa de jantar.