25.12.15

Niflheim acordou gelada. era de esperar que numa noite de tanto filho regressado a casa, tantos sacos de plástico partilhados e tanto amor familiar, a temperatura subisse para valores suportáveis, mas o manto branco de geada que cobriu o vale inteiro não engana. consigo a preciosa água quente para o banho, mas despir o pijama, polar, é um sacrifício que me faz mirrar até a alma. o sacrifício seguinte, será obrigar-me a sair da banheira, quando a água começar a arrefecer. em situações normais, qualquer ser humano de bom senso teria um aquecedor na casa de banho, onde aqueceria o ar e as toalhas, mas em Niflheim dizem-me que esse luxo é uma parvoíce e que aquilo não é um spa, mais vale despachar o assunto com rapidez. suspiro, começo a desconfiar que escolhi a casa errada, outros nativos teriam sido mais condescendentes.
tudo parece uma provação, como se a vida decidisse separar os fortes dos fracos, fazer a sua própria selecção natural, com base na resistência ao frio de cada um. eu, espécime com defeito crónico e falta de camada adiposa que me cubra a alma, pergunto-me durante quanto mais tempo conseguirei sobreviver...