11.12.15

passo ligeiro, que nem o cheiro dos eucaliptos se entranha nas narinas, bem disse que não, mas deu-me pena deixar o país das montanhas à minha espera. o almoço, prato trocado na cozinha, não volta para trás, o gelo no sumo de laranja é pescado com uma colher, nada de grave, que estou com pressa, a conta, sem papelinho algum, soma feita de cabeça, é paga sem consternação. é a segunda tentativa, não haverá terceira, tomo nota mental, mas a preocupação agora é não deixar que o Nepal me neve à porta. caminho apressada, a relva tão verde traz-me o sorriso, há cães felizes por todo o lado. talvez fosse justo fazer esperar o Nepal, afinal a confusão foi dele, todo trocado, a tentar trocar-me a mim também. o pensamento, nuvem negra de um mau karma de sexta-feira, desvanece-se rapidamente. apresso o passo, esperando não parar a digestão dos cinquenta gramas de carne seca e maionese de alecrim.
agora, enquanto espero o atrasado Nepal e rio do conceito mundial de urgência, agradeço aos céus que a bondosa Anasuya tenha decidido reencarnar em mim.
[vamos ver até quando...]