5.1.16

a pequena casa de madeira na encosta, entre o verde, as chamas já a dançarem em vórtice. noto a curiosidade de quem olha. alguns sorriem. não tenho tempo para entender por que o fazem, o fogo alastra-se à copa das árvores circundantes, impiedoso. a imagem não faz sentido, é um dia de luz clara. a serra toda arde, tomada por labaredas altas. uma velha fotografia arde também, exalando os mesmos ruídos da madeira que chia, estertorante. os que riam, gritam, atarantados. parecem-me meros figurantes, planos na dimensão. o rio, largo, é tomado pelo fogo incandescente e a água feita lava. a lambra, liquida, escorre na minha direcção. assisto, em sonho, à minha própria morte.