30.1.16

ao segundo acordar do dia, jorra-me a luz, tão clara, onde descubro um rosa suave, em botão, como o sexo molhado de uma mulher, nas primeiras flores de um pessegueiro. um cão ladra, compondo a manhã. o sonho cheira-me ainda nas mãos e na boca o sabor é de maresia. naveguei na via láctea dos prazeres, espiral que me rouba a vida, para depois ma devolver.
agora, já desperta, sem ponto de fuga onde me possa extinguir, as palavras devoradas, no prato nem uma migalha que me engane o vazio dos dedos, chega a tristeza, naturalmente, e inunda-me, dentro da luz. se tiver sorte, a apatia salvar-me-á.