1.1.16

como combinado, logo que o último gato miou a nota final, avançámos, munidas de Robert Welch a estrear, forquilhas e armas de fogo, compradas no ebay. Susana, intitulando-se, [contra a minha vontade], como a fiel depositária de MuMu, a vaca sagrada, liderava o bando, de mosquete em punho. uma verdadeira amazona. inseparável, reco-reco, o porco selvagem, "salvo" da agreste natureza, num qualquer parque natural do interior, roncava guinchos de incentivo. logo atrás, montando um puro-sangue lusitano, ana mantinha a ordem entre as convivas mais encharcadas pelas licorosas. Teresa tinha desviado uma locomotiva no apeadeiro e protegia a retaguarda, lançando apitos cronometrados.
caros leitores, asseguro-vos, a partida não foi fácil. por muito que se insista que treze centímetros de salto e cunha é demasiado para quem quer ir guerrear, as senhoras mantiveram-se irredutíveis. acabaram por ir sentadas no vagão, entretidas com o jogo da raspadinha.
chegadas à enseada combinada, avistámos o navio pirata, a não mais de meia légua. um fogo de artifício chinês empestava de amoníaco o ar fresco da noite, em cores todas trocadas. decidimos acampar as tropas e estudar melhor o local. a nosso favor, tínhamos o efeito surpresa, mas não podíamos correr riscos, no resgate da MuMu. sabíamos, de fonte segura, mas incontactável, que Cuca, a pirata poeta, era ajudada pela máfia russa, na pessoa-blogger mais influente do mundo virtual, Palmier Encoberto,  pelo Cigano maltês, primo directo do Príncipe deposto da Roménia e por Carla, Chef da maior quadrilha de açúcar e refinados do norte.