24.1.16

Conheci uma vez um americano basculante, que agora me parece replicado pelo mundo. Empunhava uma bandeira tão alto e de punho tão cerrado, que julgava elevar-se ele também, na sua luta pelo Índio dizimado. Era um americano menor, um ser arrogante e mesquinho, um pobre enjeitado, a quem tive de acompanhar os passos durante algum tempo. Lembro-me de assistir, incrédula, às suas evangelizações musculadas. Quem não se vergasse à razão da causa, vergar-se-ia ao poder do pau nas costas. Pelo Índio, ameaçado de extinção, caçado e exposto como troféu, deslocado como bicho para as reservas, aniquilado nas suas crenças espirituais, também a mim e a tantos outros, a luta parecia válida, e o americano, um merdas estilizado pelos papers da universidade e com a espinha dorsal de um polvo, sabia disso.