23.1.16

de lata e garfinho na mão, abro a porta dos fundos e avanço para o gatil. acabei de expulsar uma pobre aranha da cozinha - quiçá Milu, bem maiorzinha e disfarçada de preto -, e só na volta me hei-de rir, ao olhar as sapatilhas que calço, porque as irmãs voltaram a comer-me as botas, tal como no ano passado. foi a cereja no topo do bolo daquele maldito dia. por agora, agarro-me à luz da lua, enorme, que me hipnotiza, e vou conversando com os gatos. nenhum deles me parece incomodado com as perguntas que lhes faço, mas Sr. Gato, cujas goelas se desenvolveram, quando o pobre ficou mouco, refila alto a demora. nada como um bando de ex-vadios e abandonados para me trazer de volta à terra.