28.1.16

em cima da hora do almoço, a sopa de couve-lombarda à espera, vem-me o Paquistão, dividido em dois, azucrinar a cabeça, que a coisa assim é complicada, saber o que se pode fazer. hoje, azeda de limão verde, impaciento a voz e repito três vezes: atenção, a data é apertada. Paquistão, o de bigode, acena que sim, mas insiste na lengalenga. suspiro, quase me apetece chorar, com pena do tempo que deixo passar, assim, a tentar aproximar o Paquistão dividido em milhares, enquanto a minha aldeia cada vez fica mais longe. o Paquistão mais novo, aliviado por não ter de se expressar - e eu aliviada por não ter de tentar adivinhar -, sorri. tem um dente partido e um sorriso bonito. quando finalmente lhes aperto as mãos, sinto-lhes a convicção de quem sabe que tem de continuar a perguntar. eu, apática ocidental, regresso à inércia da cadeira. estou cansada de responder. 
é a repetição enjoativa dos dias.