17.1.16

há vinte anos, lembro-me de olhar tantas vezes pela janela da casa dos meus pais e ver aquele céu azulado a cobrir o horizonte. desse azul, que não se esquece, nascia um violeta macio que me suavizava a ansiedade, a ansiedade de sair, ser independente e viver. há vinte anos, o horizonte parecia-me um obstáculo a transpor, um muro, uma cerca que não me deixava ver o mundo. hoje - domingo, dia dezassete de Janeiro de dois mil e dezasseis - olho o horizonte, que entretanto se alargou, o azul em vários tons, o violeta ausente, e sinto um abraço que me acolhe. não sei o que virá amanhã, mas sei que não sou imortal, e hoje, de olhos postos naquele mesmo ponto, mantenho-me tranquila. olhando para trás, sei que fui abençoada.