6.1.16

observo-o de longe. imagino-lhe a tesoura pequena nas mãos, desbastando os talões supérfluos, que apenas roubam força à videira. pela curteza da vara segura no engado, percebo que o homem prefere a qualidade das uvas, em detrimento dos cestos cheios. não se escusa à morosa arte de seleccionar, cortar e atar com delicadeza, mas firme, em tempos de inverno chuvoso. como um escritor, penso, limpando as suas linhas, decepando, para criar.
o meu avô dizia que o carácter de um vinhateiro se podia observar pela poda que escolhia fazer. acredito piamente na metáfora.