9.2.16

a história que vou contar há-de passar-se daqui a mil novecentos e oitenta e quatro anos, num futuro longínquo, onde as nuvens chovem ácidos leitosos todas as noites. um mundo decadente e escuro.
há boatos nas ruas da vinda de um novo messias, logo após a notícia da morte iminente da grande estrela solar. a massa suja de gente esfomeada que habita as ruas, urra de alegria, gritando que Ele Os Salvará!
sou uma guerreira andrógina intergaláctica, vagueando em busca de corações humanos que batam a mais de cem pulsações por minuto, sinal inequívoco de sangue contaminado pela maior epidemia de todos os tempos, que tem arrastado a espécie para os caminhos da sua extinção. tenho uma pequena arma branca, esculpida em marfim de mamute-lanoso, com capacidade infinita no depósito de munições, que dispara agulhas finas de titânio, ultra-perfuradoras, com potência para trespassar meia dúzia de paquidermes em fila indiana, não que os paquidermes sofram da moléstia,  pelo menos que se saiba, talvez se dê o caso nos pinguins e nos cisnes, mas a ciência nunca foi clara e eu não sou uma assassina a soldo. mato por necessidade.

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