25.2.16

deus, um deles, não sei qual, lembrou-se de me castigar. velhaco, decidiu dar-me alguns minutos livres, - mais do que o habitual - quando deles nada posso engendrar. noutras alturas, já com a Blimunda a postos e a cabeça nas nuvens, como é de convir, o traste aperta-me o peito com obscuridades e impedimentos, obrigando-me, inflexível, a recuar.
tenho sido joguete nas mãos deste terrível enfant gâté, como boneca em mãos de uma pirralha. um quero, não quero divino, que me traz o coração em fanico - corrijo: em síncope, que a Pirata apelidou-me de intelectual e há que aproveitar a ofensa. pior, - porque há sempre uma nuvem pronta a nascer da nossa miséria - quando o mafarrico olimpiano parece acordar com os calcâneos de fora, o meu castigo avoluma-se nesta tortura costumeira: ficar sentada na cadeira, suspirando, enquanto o meu anoplogaster-cornuta - novamente a linguagem cuidada da cientificidade - me devora o fundo do mar.