1.2.16

entornam-se os dias, como um copo vazio que nos escorrega das mãos. 

permaneço deitada, rabinho em cima da almofada, perninhas bem abertas, como, infantilmente, me indica a auxiliar do dr., a mesma que ainda há pouco me confirmava os dados da ficha e me pedia, pela terceira vez, o nome da companhia de seguros. quando me manda despir da cintura para baixo, - ela, não ele, rindo que não custa nada, nadinha, vai ver, como se a pobrezinha da vagina ainda fosse donzela assustada -, começo a suspeitar que o pobre dr., das duas uma, ou sofre de tremuras nas mãos e, sozinho, não consegue manter a sonda (gigante, há que reconhecer) quieta, dentro de mim, ou de um atraso motor que lhe invalida os cálculos, e precisa de ajuda para saber quando a deve retirar.
segunda-feira difícil, tão longa quanto a sonda que me deslizou suave até ao colo do útero, mas bem menos lubrificada, posso garantir.