21.2.16

troveja, enquanto recordo a pequena história de domingo. o almoço tardio, petiscado a dois passos do rio, entre raios de sol e repentinas cargas de chuva grossa. a bebida de porto seco, as tibornadas e o queijo com mel, o bolo de chocolate, já fora da conta. tocava uma música francesa, blue em madeira seca, não conhecia o cantor. pouco depois, algumas notas de old jazz, que deram lugar a lana del rey, lenta e doce. o corpo estremece, reagindo à sensualidade da voz. nas mesas em volta, alguns turistas orientais. no passeio, o mundo, num domingo sem pressas, cruza em várias direcções. há gaivotas que bailam, mesmo em frente, nas correntes de ar. fecha os olhos e inspira profundamente o cheiro molhado que se levanta do chão. é então, diz, que sente a mão, macia, tocar-lhe o pescoço, primeiro num carinho, depois tomando-lhe a carne por inteiro, impedindo-a de dobrar. sustém a respiração. sem abrir os olhos, sorri. sabe que ele chegou.