5.2.16

Vendredi corre à máquina dos chocolates, que a tarde ainda vai curta e ela, pobre Vendredi, assalariada explorada, tudo ela, tudo ela, ainda tem um milhão de coisas para tratar e muitas pessoas para convencer. as colegas sairão mais cedo, como compete a quem, pela ordem natural da vida, tem na antiguidade um posto, permitindo assim aos seus Jaquins, Antónios e Manueis fugir ao trânsito infernal de sexta-feira. Vendredi torce o nariz, duvida muito que as encarquilhadas corram para a santa terrinha todos os fins-de-semana, mas finge que acredita e mantém-se imbuída nas suas funções de lamber papéis. já lá vai o tempo do saudoso M12M, momento único na vida de Vendredi, que, de punho em riste, pediu atenção e gritou: EU EXISTO (porra)! por breves momentos, uma réstia de luz numa vida de geração à rasca, permitiu-se acreditar que alguma coisa podia acontecer. com o arrastar dos dias (meses, anos, a eternidade) e a politização descarada e medíocre da marcha, Vendredi jurou a si própria: se voltasse a erguer o punho, seria para dar com ele na fuça de quem a tentasse novamente ludibriar.