2.4.16

acordei antes do miado profundo do Sr. Gato - na verdade, enquanto escrevo estas palavras, recordo a longevidade incógnita do bicho e considero passar a tratá-lo simplesmente por Doutor; afinal, trata-se de um felino que sabe da vida em translação -, sorumbática e de mãos geladas.  assim me mantive enquanto pude, evitando a atenção ao trinado campal da passarada. juntou-se-lhe um galo e decido acordar pela segunda vez. arrasto os pés pela casa. Taeko e Yukiko continuam a refilar com o plástico preto, contentes da vida, dando-me tempo para sorver lentamente o café. decido avançar no livro cujas palavras cravam os dentes afiados no peito, para que - talvez, é ainda uma hipótese, mas coloco-a sem receios de condenação alheia - a tristeza da leitura me traga o alívio de meia dúzia de lágrimas. a dor deve ser esvaziada.