21.4.16

é sempre assim a vergonha dos pobres. vai a gente varrendo a soleira da porta, dando a salvação a quem passa, na quietude das horas lentas, cá no sossego dos arrabaldes, quando, sem porquê, nem porque não, vem o sacristão, (que o senhor padre, depois de almoço, não visita ninguém), informar-nos de um programa de festas repentino. gagueja o rapaz que está prevista a chegada de um grupo de pessoas muito importantes e respectivos seguranças e as suas panças e armas de fogo. os motoristas ficarão nas viaturas, graças a deus e ao protocolo ministerial, benze-se o sacristão, que o espacinho, mesmo assim, já vai ficar apertadinho. que o povo seja ordeiro e o rebanho não se tresmalhe. haverá comes e bebes, termina o jovem em oração. ámen.