28.4.16

são corpos que se colam, enterrando-se nos olhares que os oferecem. que dizer, meu amor, quando tu me beijas com as sobrancelhas em arco, elevando-me a respiração? pestanejo suspiros; inglórias mãos que não se tocam, mais do que à chávena do café, suja do meu batom. são bocas que se dão, acompanhando os saltos dos sapatos, pedras, um papagaio que voa em arco, azul e verde no céu, um cheiro que nos cobre, aromas tantos, jeitos e trajectos, um poema visual, e sempre tudo, tudo, outra vez tudo, nos provoca este fluído tesão. há flores na ementa, lemos, mas preferimos uma torrada em pão de forma, para trincarmos o quadrado onde nos escondíamos, se pudéssemos, ah, se pudéssemos, meu amor, da lábia encardida da mulher da etiqueta, que nos assombra o coração. limpas-me os cantos da boca e eu estimulo-te os sentidos, lambo-te os lóbulos quentes, sentes, e deixamo-nos ficar. os pés a dois passos. há jornais de ontem, a um canto, que não folheio, e o barulho da máquina dos gelados. são sexos que se esfregam, no silêncio de um parlatório ruidoso, mamilos róseos em cores dilatadas, sabor, suor que transborda na pele, deixando manchas de amanhãs. fodemos, poeticamente falando.