9.4.16

Um dia, com olhos vítreos, a minha mãe disse-me: «Quando estiveres na cama e escutares os uivos dos cães que andam pelo campo, esconde-te debaixo dos lençóis e não escarneças do que fazem: têm sede insaciável de infinito, como tu, como eu, como o resto dos homens, de rosto pálido e comprido. Deixo-te mesmo ir até à janela para contemplares esse espectáculo tão sublime.» Desde então, respeito o desejo da falecida. Sinto, tal como os cães, a necessidade de infinito...

[Os Cantos de Maldoror]