27.4.16

Zana, a ratazana, de um pêlo rato arruçado-escuro, não se mexeu mais, encostada ao separador metálico da auto-estrada. o carro, flecha brilhante, nem abrandou. Humano sarnento! guinchou Zana, com as poucas forças que lhe sobraram. a dor atrás da nuca parecia a garra de um falcão, afiada e feroz, pronta a enterrar-se-lhe na massa encefálica. tentou mexer a cauda, mas sem sucesso, estava paralisada. os carros continuavam a passar a alta velocidade, quais enxames zunidoiros, ensurdecendo os pensamentos difusos da pobre atordoada. imóvel e sem solução à vista, Zana não se conteve e começou a chorar. condenada desde a ninhada - se ao menos fosse um golfinho ou um urso-panda bebé ou apenas um cão mediático -, restava-lhe esperar pelo última batida do coração.