11.5.16

a primeira remessa de pirilampos desta primavera chorosa chegou ontem à noite. a transportadora deve tê-los deixado ao cuidado de algum transeunte que passava e se disse vizinho. valeu a pena chegar a casa tão tarde, eram centenas deles, já espalhados pelo relvado, pintando a escurindão. Taeko e Yukiko, fieis às manias do ano passado, saltavam e corriam eufóricas, electrizadas pelo pisca-pisca intermitente. 
o dia tinha sido absurdamente comprido e a aragem estava fria, mas não resisti a deixar-me ficar pelo coberto do telheiro mais um pouco, apreciando a dádiva de uma noite assim, iluminada por magia e a mão torta de algum louco. 
continua a parecer-me que os pirilampos - essas maravilhas energéticas - são afinal pequenas máquinas telegráficas, que carregam em si a extraordinária missão de entregar as mensagens de algum deus mais envergonhado. estivesse o Damas comigo e ter-me-ia logo cortado a invenção. Alicinha, minha tola, não é nada disso. Aquilo são as fêmeas na cowboyada, para atrair os ceguetas dos copuladores. Queres maior poesia de que uma foda cintilante?