27.5.16

as ervas ásperas colam-se à roupa e à pele, como tiras de fita-cola. os cardos e as silvas arrebunham-me os joelhos, no espaço livre entre o cano alto das botas e o vestido de algodão azul escuro. mas a dor não me detém, na minha travessia pelo oceano tropical. avanço, intrépida, sob os comandos das bravas capitãs. tão-pouco penso na possibilidade das cobras marinhas. se as houver, hão fugir a sete pés (imaginários), com medo do meu trinta e sete certeiro. agora, de volta a casa, dou-me conta dos pequenos rasgos vermelhos, um sangue muito fino sobre a pele pateticamente alva, e vem-me à memória uma gargalhada de criança.