4.5.16

{da nova poesia portuguesa}

A minha fragilidade é a geografia, os corpos
remotos
como se fossem remortos, a ausência calada, a
embriaguez imperfeita
da sanidade suja e por acabar.
Como se regressa do lodo de uma memória?
É possível que os objectos sejam um veneno
necessário, um sossego obsceno. A penumbra custa
tanto
e também fica cara. Contaste-me que a
adolescência era uma metáfora,
que os livros eram braços sozinhos. Contei-te que o
sexo
era um revólver humano, que o mar servia para
transportar
o silêncio. Finalmente o comboio chegou, as
lágrimas
perderam o anonimato.
Só um sobrevive quando dois se afastam.


[Hoje Vou Sufocar a Melancolia, António de Deus-Rosto]