28.5.16

da trovoada que se ouviu esta noite, resta um céu quase limpo, algumas nuvens pequenas, que correm como gazelas. da janela, senti o prenúncio da bonança. não tinha eu ainda aberto a porta...
vem de longe o meu desconforto com esta bicharada cigana, de trouxa às costas. não pela trouxa, que também eu já analisei com carinho as vantagens do autocaravanismo, muito menos pela errância descomprometida, particularidade que invejo. o que me atrapalha mesmo a disposição é a sua viscosidade, a falta de uma coluna vertebral, a sonsice de quem chega sem ser anunciado. um bicho que confunde, trazendo os olhos no alto das antenas, como se desafiasse as leis da anatomia. uma aberração, portanto.
botas calçadas, rabo de cavalo a postos, abro então a porta. uma praga egípcia de babosos tinha sido lançada à casa durante toda a noite! porquê, meu deus?! terei eu escravizado algum hebreu?

um, entre as dezenas, que galgavam velozmente as paredes