6.5.16

diz que é por causa dos olivais, tem o paizinho à perna, uma espinha na garganta da sua veia de agricultor sazonal. assegura-lhe o Dr. Dentinho, advogado de família, já do tempo da vovó, que a sua presença é vital para o registo das heranças. tenta-se ainda o regresso do título nobiliárquico, conde ou duque ou qualquer coisa assim, mas nisso já ninguém acredita. ri-se, irónico, parece-lhe uma viagem da burguesia queirosiana. promete que voltará depressa, assim o liberte a família de tarefa tão enfadonha. Alicinha, o que eu gosto é da cidade, do cheiro do alcatrão quente, do ruído metálico da maquinaria da vida e dos livros, entendes?
meu Damas, meu pobre cachopo da beira, esconde-se o rasto num lenço de seda, e eis um autêntico varão milenar.