25.5.16

fico tanto tempo imóvel, de pé, que as andorinhas fazem voos rasantes, talvez julgando-me árvore. perco os olhos pela seara verde, onde os deuses navegam em sopros de vento. o cheiro do funcho inebria-me os sentidos.
acusam-me as línguas linguarudas de incumprimento social. concordo com elas, mas não lhes digo, ignoro-as de boa-vontade. neste casulo onde me resgato da podridão das grandes salas, em que gente espezinha gente e todos se alimentam da carcaça de alguém, não tenho nenhum papel a cumprir, existo, e isso basta (me).