8.5.16

Martinica bufa, escondida atrás da cortina, Aquele bandalho, deve estar a gozar comigo! Do lado de fora da casa, rente ao pequeno muro branco, Zé Manel, equipado com o seu fatinho amarelo-maricas, tapa-ouvidos e óculos de protecção, vai aparando o relvado burguês. A Dona Palmier tinha sido bem explícita, deviam ficar os dois em casa, sem chamar a atenção, até o pombo chegar, para levantar a encomenda. Dona Palmier era uma patroa implacável, capaz das maiores atrocidades, quando as suas ordens não eram cumpridas. Martinica rói as unhas, só de lembrar. Talvez fosse melhor telefonar-lhe, pô-la ao corrente, salvar a pele das chibatadas. Dona Palmier não dava satisfação de onde ía, mas Martinica sabia, quando a patroa usava o vestido verde, aquele com laçada, era dia de consulta na Clínica, para retocar.



[não é sequela, Palmy, nem pretende sê-lo, apenas uma brincadeira. e obrigada por todas - e são tantas - as gargalhadas que me/nos ofereces. parabéns!]