12.6.16

batem-me à porta, as minhas velhas de preto, e perguntam onde podem pousar a cestinha. vejo uma malga de cerejas, desavergonhadamente intumescidas, um pão centeio, ainda quente, cujo cheiro me saliva na boca, uma tigela pequena com manteiga branca, batida na cozinha da minha mãe, e uma garrafa de sumo de framboesa, colhido em passevite.

-- soubesse a tua mãe q'estavas c'u chico, e tinha-te mandado um cházinho de hortelã.

ah, minhas ricas velhinhas, mulheres de quem guardo vaga imagem, destino que nunca quis.